Notícias, comentários e artigos de opinião sobre, cidadania, cultura, ciência, justiça e tecnologia; Partilhar Emoções, e Estimular Sentimentos.

28
Nov 09
GRIPE A OU B? NÃO INTERESSA, O QUE IMPORTA SÃO OS NÚMEROS!

 

 Vivemos, de facto, tempos de informação descaracterizada dos mais altos valores éticos e deontológicos. O que importa mesmo é afogar as pessoas de conteúdo catastrófico e que as mantenha assustadas. Basta para isso deitar cá para fora estatísticas, números indicadores de catástrofe.
E, assim, tem sido há muito tempo com a gripe A, desde que o primeiro porco se constipou lá para os lados do México. É que o número de infectados com gripe A e que é debitado para o exterior pela DGS e os órgão de comunicação social não são verdadeiros. Falham por defeito ou por excesso, já que a triagem para a identificação de positivos A é só feita excepcionalmente.

Porque afirmo isto:

Porque fui apoquentado com um quadro de doença que imediatamente identifiquei como sendo uma gripe;

Porque, como os tempos são outros e cumprindo com os meus deveres de cidadania, recorri aos cuidados médicos do Centro de Saúde da minha área, apesar de profissionalmente estar habilitado para me tratar;

Porque aí diagnosticaram o meu quadro clínico como sendo um sindroma gripal (como se eu não soubesse!) e, imediatamente, reportaram o caso à DGS, informaticamente, como manda a lei, e porque não se fazem exames analíticos nos Centros de Saúde, lá seguiu a informação sem identificarem o tipo de estirpe;

Porque, estando eu curioso quanto ao raio do bichinho que me infectava, e para testar o sistema, perguntei ao médico se não me submetia a um exame analítico e, imediatamente, me foi entregue um papel com o endereço de um laboratório onde poderia efectuar o teste;

Porque perguntei quem pagava o exame e ter recebido um resposta peremptória: “Você!”

Pois é…! É claro que nem todas as pessoas vão a correr para os laboratórios, muito menos quando esse exame custa mais de 10 euros. E mesmo que o façam, comunicam às entidades sanitárias que tipo de estirpe foi identificado? Claro que não! Então como sabe a DGS quantos casos de gripe A estão identificados?

De repente estoirou na minha cabeça aquilo que eu sempre suspeitei: os números não são verdadeiros e não passam de mera especulação.
Entretanto, eu cá me vou divertindo com os números, bebendo fogosamente os meus chazinhos, ingerindo muita água, resguardando-me das intempéries e fazendo os meus antipiréticos. Sendo A ou B a gripe há-de ser debelada daqui a nada, aliás, como sempre aconteceu e sem consequências de maior. 

publicado por MonteiroMariti às 18:24

16
Nov 09
AFINAL DE CONTAS, QUEM ESTÁ A SER ESCUTADO?

Quem tem seguido, com alguma regularidade, aquilo que aqui tenho escrito, com certeza que já reparou que não morro de amores por este primeiro ministro. Contudo, há uma coisa que um cavalheiro não pode fazer nunca, que é, aceitar que se criem situações que retirem a alguém, seja ele quem for, os seus mais elementares direitos de privacidade. Não, não vale tudo! E foi isso que fizeram com José Sócrates, durante pelo menos 4 meses. Isto só porque um qualquer corruptor sucateiro de Aveiro estava sob escuta, e que tinha uma qualquer ligação menos legal com um senhor - que até por acaso era amigo de José Sócrates, e que, por diversas vezes, lhe telefonou (aqui a única culpa do Primeiro Ministro foi ter feiro daquele senhor seu amigo).
Nem sequer vou querer saber do conteúdo dessas escutas porque, como cavalheiro que sou, este jogo não vou eu jogar e pronto! Mas aponto o dedo a quem escutou e a quem mandou escutar. Quando se diz que determinadas escutas são ilegais, e se houve quem colocasse cá fora o seu conteúdo, cometeu um crime e tem que ser julgado. Apesar de consignadas na lei há coisas que ultrapassam o bom senso, que não sabem distinguir o que é a ética, aquilo que é fundamental numa sociedade democrática e, ainda, que princípios e valores ela deve preservar.
Afirmo que estamos a viver tempos excepcionalmente ignóbeis e que me repugnam as escutas sempre - com excepção quando se tentam evitar assassinatos; repugnam-me os juízes que colocam cá fora conteúdos de escutas que, por qualquer razão, são julgadas como ilegais ou mesmo sem relevância criminal (estes senhores deveriam ser julgados – mas é a tal classe incorruptível e intocável, não é!?); repugna-me saber que eu esteja sob escuta, quando alguém meu amigo, familiar, ou seja quem for, esteja sujeito a investigação judicial, me telefone, e que do outro lado alguém se esteja a divertir; repugna-me que, quem escuta, ou quem autorizou a escuta , a troco de não sei o quê, deite cá para fora os conteúdos dessa mesma escuta de uma forma ignóbil e violando o segredo de justiça.
Isto pode um dia acontecer a todos e com consequências pessoais graves, porque vivemos, neste momento, numa sociedade pidesca, inquisitória e mentalmente perturbada. Anseio, desesperadamente (e não é pedir muito), que apareça alguém que ponha cobro a isto a bem da sanidade mental desta nossa sociedade.
Até lá, valha-nos os cavalheiros!
publicado por MonteiroMariti às 22:13

AFINAL DE CONTAS, QUE PORCARIA É ESTA?

 

Instalada que está a polémica entre dois dos mais altos signatários dos cargos que comandam a justiça, Procurador-geral e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, com declarações e indefinições deploráveis sobre quem resolve, decide, ou como actuar, sinto-me, perante tal quadro, mais convencido (convencido mas não conformado) que a nossa justiça será sempre como um carro de tracção traseira numa picada lamacenta a perder-se de vista numa qualquer savana. Só assim se percebe porque se arrastam os casos como “operação furacão”, “freeport”, “casa Pia”, “BPN”, e o agora processo "face oculta". Pedem-se reformas na justiça, e quando as fazem vão sempre de encontro dos poderes e interesses instalados. É exactamente nas exigências em matéria de carácter, inclinação à prática do bem, que reside toda a diferença. Exige-se ética e moralidade.

 

Neste palco do faz de conta, eu, qual mexilhão, aqui no meu cantinho, nunca me deixei enganar, até porque muitos daqueles que pedem reformas, e alguns que reformaram, não têm carácter e hoje vêm-se apontados como elementos a julgar. Quando casos destes acontecem, até porque o nojo é tão grande, imediatamente vomito sobre estes fulanos, mas consciente que, mesmo envolvidos na mais profunda esterqueira, estas bestas nunca terão honra muito menos vergonha.

publicado por MonteiroMariti às 22:11

13
Nov 09

TER SEMPRE RAZÃO E NÃO DAR A MÃO…!

Há quem nesta vida, ainda, e teimosamente, continue a pensar que todo o mundo está errado sem se surpreender depois de descobrir o que o mundo pensa deles. É como aquela mãe, que assiste ao desfilar do filho em passo desacertado com todo o resto do pelotão, numa qualquer parada militar e, orgulhosamente, diz que o filho é que vai bem e os outros mal. Conheço gente assim e que, apesar dos conselhos para que reflictam quanto às suas atitudes, continuam a agir da mesma forma e a sofrer na pele as adversidades que advêm do seu mais que reprovável comportamento.
 

Vem a propósito o Senhor Gustavo (nome fictício), dono de um estabelecimento comercial, onde eu todas as manhãs iniciava a rotina diária com a toma do meu primeiro café da manhã. Apesar de, atentamente, ter ouvido os meus modestos conselhos, continuou sempre a afirmar que a razão estava do seu lado, continuando a mostrar uma personalidade pouco atractiva, levando-o, sistematicamente, a perder clientes, até que um dia teve que encerrar as portas.
 

Muita gente apontou como causa do encerramento daquele espaço comercial o momento menos bom que, economicamente, as famílias atravessam. Mas estão redondamente equivocadas, porque as pessoas que frequentavam aquele local, que comigo bebiam o seu cafezinho da manhã e que diariamente ali conviviam, não deixaram de ter os mesmos hábitos.

Agora o tónico da manhã, ou seja o café, é tomado em local onde o atendimento vai de encontro aquilo que carinhosamente aconselhei ao Sr. Gustavo. As pessoas que nos atendem mantêm, constantemente, uma atitude mental positiva, como se a dizer “Sorri e eu sorrirei contigo, lamenta-te e lamentar-te-ás sozinho”; a sinceridade, como bem absoluto, está patente nessas pessoas; mantêm a confiança e o bom relacionamento com, a rapidez, a prontidão no atendimento, a franqueza, a autoconfiança, a cortesia, o tacto, a tolerância, a fisionomia agradável, o sorriso espontâneo e o senso de humor.
 

Continuo a cruzar-me de vez em quando com o Sr. Gustavo. Mantém os queixumes e os tiques de sempre. A meu convite, já tomamos café juntos, como forma de ele sentir e perceber que os meus conselhos, e que ele dizia ouvir, caíram em saco roto.
 

Um dia, talvez, esteja a beber o café num qualquer lugar aberto pelo Sr. Gustavo, e, desalmadamente, a rirmo-nos do tempo em que ele era “cabeça dura”.
Quem sabe?!

publicado por MonteiroMariti às 11:45

01
Nov 09

DE VEZ EM QUANDO SABE BEM UM ANTIDEPRESSIVO

 

De repente vejo-me enrolado em tricas politicas, e cujos comportamentos de quem deveria dar o exemplo não passam mais do que querelas de garotos mimados, que orgulhosamente tentam defender a sua honra (que honra?) como se de cúspides da criação de tratassem. Sinto-me deprimido, respiro fundo, reconheço que estes políticos nada prestam, perdendo-se em minudências, com o essencial por resolver, e mudo a frequência do rádio.
 

De repente, do afogamento psicológico a que estava sujeito, surge a salvação em forma de música, debitada por uma qualquer estação de rádio, qual comprimido de ginseng, que me atira "cá p´ra fora" e me mostra que há coisas na vida fantásticas para usufruir, e mais saborosas serão se tivermos a noção que a vida humana decorre naquilo que é menos de uma fracção de segundo à escala do tempo cósmico. E é isto, nesta nossa curta vida cheia com os escassos e preciosos momentos que conta muito mais do que todas as querelas enfadonhas e desajeitadas daqueles que um dia, através do nosso voto, se apoderaram das instituições, que felizmente, ou infelizmente, foram inventadas para colocarem ordem nisto. E esse antidepressivo não foi mais do que o tema "A Vida de Marinheiro" do agrupamento Sitiados, projecto que teve como fundador o saudoso músico João Aguardela. Que música fabulosa! Ainda hoje, transporta com ela a magia de meter aos saltos aqueles que a ouvem. Saltei, cantei, e preparei-me para mais algumas atoardas e comportamentos angustiantes.
 

Em http://www.aguardela.com/, que já está activo e pode ser visitado, fica registada a vida e obra de João Miguel Antunes Aguardela, lisboeta nascido em Fevereiro de 1969. Biografia, discografia, recortes de imprensa, há de tudo para memória futura.

 
As homenagens a João Aguardela sucedem-se das mais variadas formas, umas públicas e outras mais pessoais, de cúmplices que teimarão em esculpir o saudoso músico da forma mais indelével. O poeta Alberto Pereira, que conviveu com João Aguardela meses antes deste ter falecido, venceu este ano de 2009 na modalidade de Conto, (que abaixo transcrevo), o concurso anual de conto e poesia, com juri constituido por Heloisa B.P, Jorge Casimiro e Firmino Mendes, patrocinado pelo site "Ora vejamos..."com o trabalho “A última fotografia”, dedicado ao músico. Sublinho, ainda, que o site "Ora, vejamos" e que tem à cabeça Henrique Sousa, referenciado por Alberto Pereira, como "homem que há três anos consecutivos, sem olhar a cansaços e a quaisquer outros inconvenientes, deita mão a este projecto e arrasta com ele muitos daqueles que tem a poesia na alma e o autêntico amor pela escrita. Dar corpo ao sonho de tornar a cultura, e em particular a literatura ao alcance de qualquer um, sem elitismos, sem tabus".

E com a simpática autorização do poeta e amigo Alberto, aqui ficam alguns fragmentos do conto, que poderá ser com certeza lido na íntegra quando forem lançadas em livro as obras que estiveram a concurso no evento.

 "A ÚLTIMA FOTOGRAFIA"

Passo os dias estendido nesta cama, sei de cor tudo o que aqui acontece. O zumbir dos alarmes, o horário em que os médicos e enfermeiros me visitam, as auxiliares que todas as manhãs vêm de esponjas em punho e me esfregam de forma tão rápida que me sinto como um automóvel a ser lavado numa estação de serviço; a boca que fica muitas vezes suja, como uma fossa a coleccionar restos de comida. O creme gorduroso com que me massajam, o braço picado de fazer análises de rotina, a psicóloga que tenta salvar-me da depressão. Os exercícios que o fisioterapeuta me ensina e que não consigo fazer. A empregada de refeitório que repete as dietas que já me enjoam. A mulher desdentada que limpa o chão, o voluntário de bata amarela que sai de casa para o hospital porque ainda não acredita que está reformado. Conheço também este quarto. As duas camas separadas por um cortinado velho, o lavatório branco com a torneira cromada onde corre apenas água fria, as mesas-de-cabeceira com gavetas pequenas e as cadeiras de plástico arrumadas ao lado do armário. Conheço tudo isto e também Hafid, que nesta manhã de Outono quis imitar o ciclo das estações e partir da vida como as folhas que lá fora se desprendem das árvores.Estendido no leito, junto à janela, está o velho fotógrafo. Tem a face pálida e os lábios roxos. No corpo o sangue parece ter sido sugado. Os membros esqueceram o movimento, os músculos suspensos sobre os ossos em breve ficarão duros. Como sabem, ao princípio não simpatizei com ele, porque ninguém gosta que lhe chamem cobarde, senti até repugnância, mas com o tempo tudo mudou. Habituei-me à sua rotina. Levantava-se cedo, tão cedo que por vezes a cor negra da noite não se apagara do horizonte. Sobre o tampo extensível da mesa-de-cabeceira pousava a bacia de alumínio com água tépida, espalhava o creme no rosto e desfazia a barba. Em seguida saía do quarto para o duche matinal, regressava trinta minutos mais tarde e dava então início a um ritual que sempre me impressionou. Guardanapo à esquerda, tigela ao centro e seringa à direita. Quando puxava a camisola para cima, lá estava o tubo de plástico enfiado na barriga. Tirava-lhe a tampa, aspirava o leite com a seringa e em pequenas doses despejava o pequeno-almoço dentro de si. Descia depois até à praia para comprar o jornal e só regressava perto do meio-dia. O resto do tempo passava-o aqui, neste quarto, junto a mim.
"Quero tocar à campainha, mas não consigo. Ninguém aparece. O céu está carregado de nuvens e pela escassa claridade da manhã adivinha-se que choverá em breve. Que dia triste para morrer.Quando olho para aquele canto, vejo Hafid, apresentando-me o mundo lá fora. Nunca espreitei pela janela, mas conheço todos os lugares para lá dela. Conheço-os, porque ele os relatou. O mar do outro lado da estrada. A praia com conchas esmagadas junto à rebentação, as algas a flutuar ao sabor das marés, as pedras cobertas de musgo, o mexilhão agarrado às rochas junto à falésia. E as gaivotas, essas nunca param, ora no solo a disputar pedaços de comida, ora no céu a sobrevoar a costa. Até do bar sei o nome, “São Pedro”. A esplanada com mesas brancas e cadeiras de ráfia, o chão de madeira manchado pelo sal, o tubarão de borracha pendurado no tecto, o toldo transparente que desce quando o vento sopra com força. E os pescadores, esses matam as horas a lançar anzóis para as profundezas do mar, na esperança que um peixe justifique os momentos de solidão. Falou-me também de um homem que passa o dia na praia de pá em punho a tapar os buracos mais fundos, nunca percebi porquê, mas também nunca lhe perguntei. Ao final da tarde debruçado sobre o parapeito da janela, Hafid fazia-me sonhar. Falava do crepúsculo como um poeta.
 
“O sol desce ao ritmo de um caracol.
O céu está em chamas.
Os barcos ancorados como brasas vão-se afundando na cor ardente do horizonte.
Desmaia sobre a água uma brisa fria, tudo escurece lentamente.
A fogueira apaga-se, há apenas cinza no céu.
Chegou a noite.
 
”Depois fechava a janela e eu sabia que o dia tinha chegado ao fim.Os meses passavam, as fotografias sucediam-se, as histórias eram cada vez mais interessantes. Tornei-me um viciado destes momentos, de ver o velho sentar-se perto de mim ao início da tarde, de o ouvir contar pedaços de uma vida que mais parecia um puzzle captado em vários lugares da terra. Mas quando ao puzzle apenas faltava uma peça, algo de estranho aconteceu. Hafid recusou-se a mostrar-me a última fotografia. O homem calmo deu lugar a outro que se transfigurou. Ficou irritado, diria mesmo que teve um ataque de fúria, o seu corpo tremeu, os olhos ficaram rubros, tão rubros que se via a agitação nas pupilas. A minha insistência para observar a derradeira imagem perturbou-o tanto, que a feição serena se desvaneceu por completo. Recusou-se a fazê-lo e saiu do quarto batendo a porta com violência. Só voltou ao anoitecer, sem que um murmúrio se ouvisse. Durante um mês, deixei de sentir os cheiros da praia, a rebentação das ondas junto à falésia e até de imaginar as mulheres na areia a entregarem o corpo aos raios de sol. Apagaram-se as cores do crepúsculo porque a sua boca se fechou e passei a perceber que a noite chegava, somente porque a claridade desaparecia do quarto. Mas há três dias, decidiu quebrar o silêncio. Sentou-se de novo junto a mim e abriu o álbum de fotografias como nos velhos tempos. Abriu-o precisamente na imagem que nunca me quis mostrar. Disse então:
- Esta foi a fotografia que arruinou a minha vida, foi a última que tirei já lá vão alguns anos. Ganhei com ela o prémio Pulitzer de fotojornalismo.
Observei-a atentamente, era medonha. “Via-se uma menina vergada sobre a terra seca, a figura esquelética de um corpo desnutrido, esgotado pela fome. Atrás dela, em segundo plano, a figura negra e atenta de uma ave à espera da sua morte. Depois, sem que eu lhe perguntasse nada, Hafid começou a falar."
 
Alberto Pereira
 

 

Video promocional de 1992 do tema "Vida de Marinheiro"

 
publicado por MonteiroMariti às 14:16

12
Out 09
BOLAS, OUTRA VEZ NÃO!Pronto, acabou-se!
Enrolem as bandeiras, dobrem os cachecóis, recolham-se os cartazes que a festarola chegou ao fim! Do quase delirium passamos ao estado letárgico; depois de tanto xingarmos os que inabilmente nos governaram, lá promovemos nós o mais do mesmo. Como costumava o meu avô dizer, "cada um carrega com a canga que merece", ou seja, quando as coisas começarem a ficar feias, não venham tocar a rebate pois, fomos nós que escolhemos!

Agora senhores políticos, comecem lá então a trabalhar a sério, que a paródia chegou ao fim, e este país precisa dos senhores para novamente elevarmos a paranóia do queixume e do masoquismo.

Vá lá senhores políticos, comecem então, e já, com o incumprimento daquilo que nos prometeram. Bora lá que se faz tarde!!
publicado por MonteiroMariti às 18:42

08
Out 09
ESTAMOS TODOS FARTOS DESTE RUÍDO!Enquanto gatafunho um texto no Word, espirro e um conjunto de desajeitados perdigotos esborracham-se contra o monitor, besuntando o ecrã e misturando-se com a letra A que se apresentava capitulada no inicio do texto. "Caramba!... Espirro, letra A…, que coincidência! Ai vem o H1N1?"– pensei eu enquanto soltava um enorme sorriso que, rapidamente, se desvaneceu quando a telefonia mais uma vez, em momento noticioso obsceno e promotor do apocalipse, debitava cá para fora mais um número de infectados pela gripe. O ridículo é que noticiava um número que dizia respeito ao conjunto de doentes com gripe tanto da estirpe A como das estirpes sazonais. Nada de “triagem”; importa mesmo é que se anuncie, e quanto maior o número melhor. Como se deliciarão estes jornalistas, arautos da desgraça, quando chegar o pico do inverno.
Dirão que são importantes estas informações para que as pessoas não se descuidem e se protejam. Nada disso senhores jornalistas! Com esta forma de fazer jornalismo vocês estão a defender é o vosso posto! O que realmente é importante é que os senhores deitem cá para fora informações de forma a aumentar a responsabilidade social de todos os elementos da comunidade e que nunca será com esta maneira de fazer jornalismo cuja lógica informativa dominante não é mais do que invocar o medo, sugerir o pânico, tendo como pano de fundo o anseio da hecatombe. Se assim não é, porque é que as televisões se calaram perante as afirmações do bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, e à imagem do seu homólogo espanhol, quando criticou o “excesso de alarme e zelo” na resposta à gripe A, considerando tratar-se de uma “doença banal e pouco letal”.
Pois é meus senhores, o que importa mesmo é manter as pessoas assustadas, não é? E em defesa de quê e de quem? Haverá por ventura outros interesses por detrás disto tudo? Se de algum consolo vos servir tenham em conta então o que Dr. Pedro Nunes disse, também, desta campanha toda: “Foi uma oportunidade para criar algumas normas de educação cívica e até para implementar no terreno medidas de contenção para doenças eventualmente mais graves”.
Não estou doente, e, ironicamente, se espirrei foi porque sou alérgico a determinada forma de estar na vida de alguns senhores que se masturbam apregoando e ansiando o apocalipse.
Mas, abençoado espirro! Peguei num trapo e em movimentos rotativos eliminei do ecrã todos aqueles perdigotos como se de jornalistas imbecis, políticos patetas, e de inábeis agentes de saúde se tratassem.
Efectuada a limpeza, o meu velho monitor renasceu. Bem precisava de uma boa limpeza!
publicado por MonteiroMariti às 18:03

24
Set 09
VER PARA ALÉM DAS APARÊNCIAS

O que diria a minha querida avó se de repente voltasse à terra e descobrisse que novas eleições para o parlamento estão para acontecer, e cujos candidatos não passam dos aldrabões de sempre, que, continuamente, negam a necessidade de exporem a verdade, a dignidade, o respeito perante aqueles que neles confiam e que os colocam no poder? Que diariamente neste circo que é a propaganda política o sarcasmo, o cinismo, a mentira, o mal dizer são utilizados tão naturalmente como se normal fosse? Diria muito naturalmente o que sempre nos disse quando, princípios tão básicos, como os acima expostos, fossem por nós esquecidos: “-Tenham vergonha, senão levam uma carga de porrada, ai levam, levam!”

Pois é, vontade não faltará a muito boa gente de zancar nestes fulanos e fulanas que continuamente cometem asneiras depois de, alternadamente, se apoderarem do poder, sem se importarem muito pois, assim, continuam a mamar sendo a mama interrompida só para o arroto. Cá vão parasitando…
 

Por mim estes fulanos mamariam sim mas no… dedo. Desapareceu da minha parte todo o respeito que nutria por estes políticos e a partir daqui, cumprirei sim com o meu dever cívico, correndo à mesa de voto para receber o boletim onde se besuntam os nomes dos partidos para logo de seguida, devotamente e com muito amor desenhar - olhem que jeito não me faltará e vontade muito menos - uma mão com um dedo esticado e outros dois encolhidos.
 
É que, meus amigos, quase cinquenta anos de vida, dão-nos oportunidade de desenvolver o domínio da sabedoria e da espiritualidade. Isto significa a capacidade de ver as coisas para além da sua aparência, para ver através das mentiras dos políticos e dos parasitas, de perceber o relacionamento primordial entre as forças que actuam sobre a consciência e, ainda, desenvolver a disciplina interior e o sentido de responsabilidade necessários para resistir aos cantos de sereia dos políticos.
 
 
Deixem-me transgredir com o meu acto. Mas se todos o fizéssemos as coisas de certeza que seriam bastante diferentes. Mostraríamos à sociedade que tem que acabar com as muitas maneiras que possibilitam às pessoas de construírem os seus egos fazendo mal aos outros sem saírem dos limites impostos pela lei; aos políticos mostraríamos que é perigoso deixarmos só nas mãos deles a apreciação critica do destino deste pais e que não aceitaremos passivamente comportamentos que levem a manipular as regras a seu favor criando movimentos entrópicos que só levam a piorar as coisas.
 
Da minha parte senhores políticos, no dia 27 de Setembro o pirete está garantido.
 
»»»Ver também

 



 
publicado por MonteiroMariti às 17:58

15
Set 09
NECESSITAMOS DE MAGIA NA ESCOLAEnquanto saboreio o meu primeiro café do dia, acompanhado do meu filho João, que constantemente apontava o relógio como se me quisesse dizer, “despacha-te, não quero chegar tarde!” olho os jornais da manhã como ledor, e os títulos em letra garrafal anunciam o inicio de novo ano escolar com reparos para alguns percalços que atingem algumas escolas, como a falta de professores, a nomeação indevida de alguns docentes, falta de instalações, instalações em obras, o abandono escolar, etc. etc.

Depois de um "Diverte-te", lá mandei o meu filho carregado de apreensões, dúvidas, medos e ansiedades para o local onde será formatado e o que lhe for ensinado, provavelmente, de nada servira ou estará já ultrapassado (aparecimento de novos paradigmas) e que tem como nome, estabelecimento escolar. E cá estarei eu, novamente, em esforço titânico durante todo este ano lectivo, para amenizar os sentimentos acima descritos que se apoderaram do meu filho, para que se mantenha com alguma motivação para cumprir com aquilo que o nosso sistema de ensino institucionalizou, que é a transição de ano. E o que farei eu? Bom…, não mais que dizer, constantemente, que se divirta, que actue de forma criativa nas actividades escolares para que a qualidade da experiência envolvida seja intrinsecamente gratificante. Ou seja, as “coisas” da escola têm que ser divertidas de fazer.

O insucesso e o abandono escolar estão directamente ligados à motivação. Até que ponto estarão as escolas preparadas para que possam manter um nível elevado de motivação nos seus alunos? Não basta mostrar-lhes ou dizer-lhes que o futuro deles depende do acabar o ano com aproveitamento, o ensino obrigatório ou a faculdade. Não, não é!

Já lá vai o tempo que as teorias psicológicas partiam do princípio de que somos motivados pela necessidade de eliminar uma condição desagradável, ou quer pela expectativa de uma recompensa futura, seja ela dinheiro, posição social ou prestígio. As actuais novas atitudes mentais e estudos levados a cabo sobre a criatividade e a satisfação mostram-nos que, mais cativante que a antecipação do resultado é o processo em si mesmo. Os objectivos externos encontram-se muitas vezes presentes em wallpaper, mas raramente constituem a principal razão por que nos dedicamos a algumas actividades. Ou seja, não importa de serei famoso, rico, feliz, … Importa sim é que tenha prazer e me divirta com as coisas que faço AGORA.

Por experiência própria como pintor, enquanto pinto uma tela, o envolvimento com a obra virado prazer e fascínio só dura enquanto o quadro está por acabar; quando deixa de crescer e de se transformar, encosto-o à parede e viro-me para outra tela. Sinto claro que o pintar tem de tão cativante para mim não a antecipação de um belo quadro, mas o processo em si mesmo.

O que falta às escolas, e muito particularmente aos professores, é terem a capacidade de transformarem aqueles momentos em que têm os alunos na sua presença, em momentos lúdicos, de diversão, de pura magia. Como se faz isso? Naturalmente com professores a divertirem-se e a sentirem-se gratificados com aquilo que fazem. Divirtam-se com os alunos, dêem-lhes magia e rapidamente deixarão de se queixar com o abandono escolar. Que razão justifica porque passam as crianças maior parte da vida a brincar? Porque razão os adultos apreciam o xadrez, tocam guitarra, vêem telenovelas, passeiam pelo campo e fazem milhares de outras coisas? Não há qualquer boa razão que o justifique, excepto o facto de essas actividades serem divertidas e agradáveis.
Exige-se outra perspectiva da evolução e novas atitudes mentais.
publicado por MonteiroMariti às 17:26

29
Jun 09
A GANÂNCIA U.S.A. UMA VENDA
 

Recordo um dia triste para a minha querida vizinha da travessa ao lado quando quis recuperar uma pequena poupança que tinha depositado ao cuidado de uma senhora de nome Maria Branca dos Santos, que toda a gente conhecia por D.Branca, e que, por milagre, se duplicaria segundo vozes más conselheiras. A porta que se lhe abrira, simpaticamente, para receber o seu dinheiro, tinha um ferrolho que nunca mais se destrancou. O escândalo estoirara e a D. Branca tinha sido presa e milhares de pessoas tinham perdido as suas economias numa habilidade financeira ilegal. A minha vizinha deixou então para alturas melhores as férias que tinha agendadas para os Açores.

Pasme-se, então, que o exemplo dado ao mundo, por este pequeno país à beira mar plantado, foi tido em consideração, com matéria suficiente para ser colocada em acção e pasmar toda a gente com a sua eficácia. Do outro lado do Atlântico um senhor de reputação reconhecida de nome Bernard Madoff, vai desta, pega na fórmula, e atrai ao seu covil investidores ansiosos de dinheiro fácil.

De repente tudo se desmorona. Aquela enorme pirâmide desfaz-se e deixa à mostra aquilo que a fez erguer: a ganância e uma atitude ética empresarial, cujos princípios e valores estavam inscritos numa matriz de más práticas. Ou seja, a prática não rspeitou a ética no sentido de que o bom gestor tem que ser, ao mesmo tempo, um gestor bom.
 

Como escreveu um dia o Dr. Diamantino Marques, Ex. Presidente das Companhias de Seguros Império e Global, Ex-Presidente do Instituto de Seguros de Portugal: “É exactamente nas exigências em matéria de carácter, inclinação à prática do bem, que reside toda a diferença visto que formação intelectual do dirigente moderno deve ser complementada com elevada sensibilidade social e preocupação de integração de todos os seus actos num quadro recomendável pelas responsabilidades de cidadania. A moralidade e a eticidade dos dirigentes surgem assim como suportes essenciais da sua responsabilidade social e podem ser consideradas como meios de prevenção muito importantes em relação à prática de comportamentos criticáveis portadores dos mais graves riscos para toda a sociedade.”

Já agora, espero que os exemplos do BPN e BPP não sirvam de inspiração também às gentes do outro lado de lá. Senão, repete-se a historia e vejam que daquele lado castigam-se as pessoas que metem a pata na poça. Relembro que o senhor Madoff, o autor da maior fraude financeira da história de Wall Street foi condenado a 150 anos de prisão.

E este exemplo, o de condenar os irresponsáveis, alguma vez chegará a este lado?

»»» ler também

publicado por MonteiroMariti às 19:27

arquivos
subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO