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22
Jun 09
DE PURÉ DE AZEDAS A PUDIM BOCA-DOCE

Enquanto me delicio com um bacalhau assado na brasa acompanhado de uma suculenta torricada, os mais atentos apercebem-se das notícias que o aparelho de tv vai debitando. De repente a senhora Alzira, a autora daquele delicioso manjar, desabafa entre o fumo e o gesto simples que limpa a testa do suor que sulca o seu rosto: “O Sócrates agora, mais uma vez, tenta enganar o povo com uma imagem angélica e de falar manso. Ainda por cima cínico. O meu voto não leva ele não! Não me volta a enganar!”

Imediatamente dissipam-se as dúvidas que mantivera até então sobre a eficácia da nova imagem que o nosso Primeiro Ministro adoptara. Ele já não consegue enganar ninguém. De facto, não basta parecê-lo. O arrogante, a fera, o impositor, mantém-se ali, independentemente de tentar mostrar-se diferente. Só ele não percebe, ou estará mal assessorado, que mais vale ser do que parece-lo. Basta só estar atento à entrevista dada à SIC e aos momentos que Sócrates afirma que está contente com ele e quando pede novamente a maioria absoluta nas legislativas.

As várias classes profissionais, constantemente maltratadas e afrontadas com a arrogância e a prepotência do Eng.º José Sócrates, têm aqui motivos, mais do que suficientes, para reivindicarem um governo que tenha à sua frente alguém que de facto respeite as pessoas e não as julgue como uns mentecaptos. Porque senhor Primeiro Ministro, estou na linha da senhora Alzira, não sou louco para voltar a votar no senhor. Votei em si porque o julguei determinado a colocar as coisas no sítio. Mas não fez mais do que fazer de facto as coisas à sua maneira e mal. O senhor pode mostrar aquilo que muita gente gosta, que é determinação, segurança e proactividade, mas não lhe perdoará a falta de senso comum, a ausência de humildade e muito menos a escassez de honestidade. Peço-lhe aqui que seja como é e não tente ser o que não pode ou não consegue ser. Seja honesto consigo mesmo e respeite quem um dia permitiu que o senhor comandasse o destino deste país. E gastronomicamente falando, quem de facto é um puré de azedas(planta da família das poligonáceas, com sabor ácido, cultivada ou espontânea em Portugal e utilizada na confecção de vários pratos) nunca poderá ser um pudim Boca-doce.

Terminada a minha refeição recusei, e vá-se lá saber porquê, qualquer sobremesa que fosse doce. Acabei num simples e saboroso café e, inspirado pelo momento, acompanhei-o com um digestivo suave, o famoso licor de merda.


publicado por MonteiroMariti às 15:14

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