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15
Set 09
NECESSITAMOS DE MAGIA NA ESCOLAEnquanto saboreio o meu primeiro café do dia, acompanhado do meu filho João, que constantemente apontava o relógio como se me quisesse dizer, “despacha-te, não quero chegar tarde!” olho os jornais da manhã como ledor, e os títulos em letra garrafal anunciam o inicio de novo ano escolar com reparos para alguns percalços que atingem algumas escolas, como a falta de professores, a nomeação indevida de alguns docentes, falta de instalações, instalações em obras, o abandono escolar, etc. etc.

Depois de um "Diverte-te", lá mandei o meu filho carregado de apreensões, dúvidas, medos e ansiedades para o local onde será formatado e o que lhe for ensinado, provavelmente, de nada servira ou estará já ultrapassado (aparecimento de novos paradigmas) e que tem como nome, estabelecimento escolar. E cá estarei eu, novamente, em esforço titânico durante todo este ano lectivo, para amenizar os sentimentos acima descritos que se apoderaram do meu filho, para que se mantenha com alguma motivação para cumprir com aquilo que o nosso sistema de ensino institucionalizou, que é a transição de ano. E o que farei eu? Bom…, não mais que dizer, constantemente, que se divirta, que actue de forma criativa nas actividades escolares para que a qualidade da experiência envolvida seja intrinsecamente gratificante. Ou seja, as “coisas” da escola têm que ser divertidas de fazer.

O insucesso e o abandono escolar estão directamente ligados à motivação. Até que ponto estarão as escolas preparadas para que possam manter um nível elevado de motivação nos seus alunos? Não basta mostrar-lhes ou dizer-lhes que o futuro deles depende do acabar o ano com aproveitamento, o ensino obrigatório ou a faculdade. Não, não é!

Já lá vai o tempo que as teorias psicológicas partiam do princípio de que somos motivados pela necessidade de eliminar uma condição desagradável, ou quer pela expectativa de uma recompensa futura, seja ela dinheiro, posição social ou prestígio. As actuais novas atitudes mentais e estudos levados a cabo sobre a criatividade e a satisfação mostram-nos que, mais cativante que a antecipação do resultado é o processo em si mesmo. Os objectivos externos encontram-se muitas vezes presentes em wallpaper, mas raramente constituem a principal razão por que nos dedicamos a algumas actividades. Ou seja, não importa de serei famoso, rico, feliz, … Importa sim é que tenha prazer e me divirta com as coisas que faço AGORA.

Por experiência própria como pintor, enquanto pinto uma tela, o envolvimento com a obra virado prazer e fascínio só dura enquanto o quadro está por acabar; quando deixa de crescer e de se transformar, encosto-o à parede e viro-me para outra tela. Sinto claro que o pintar tem de tão cativante para mim não a antecipação de um belo quadro, mas o processo em si mesmo.

O que falta às escolas, e muito particularmente aos professores, é terem a capacidade de transformarem aqueles momentos em que têm os alunos na sua presença, em momentos lúdicos, de diversão, de pura magia. Como se faz isso? Naturalmente com professores a divertirem-se e a sentirem-se gratificados com aquilo que fazem. Divirtam-se com os alunos, dêem-lhes magia e rapidamente deixarão de se queixar com o abandono escolar. Que razão justifica porque passam as crianças maior parte da vida a brincar? Porque razão os adultos apreciam o xadrez, tocam guitarra, vêem telenovelas, passeiam pelo campo e fazem milhares de outras coisas? Não há qualquer boa razão que o justifique, excepto o facto de essas actividades serem divertidas e agradáveis.
Exige-se outra perspectiva da evolução e novas atitudes mentais.
publicado por MonteiroMariti às 17:26

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