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08
Out 09
ESTAMOS TODOS FARTOS DESTE RUÍDO!Enquanto gatafunho um texto no Word, espirro e um conjunto de desajeitados perdigotos esborracham-se contra o monitor, besuntando o ecrã e misturando-se com a letra A que se apresentava capitulada no inicio do texto. "Caramba!... Espirro, letra A…, que coincidência! Ai vem o H1N1?"– pensei eu enquanto soltava um enorme sorriso que, rapidamente, se desvaneceu quando a telefonia mais uma vez, em momento noticioso obsceno e promotor do apocalipse, debitava cá para fora mais um número de infectados pela gripe. O ridículo é que noticiava um número que dizia respeito ao conjunto de doentes com gripe tanto da estirpe A como das estirpes sazonais. Nada de “triagem”; importa mesmo é que se anuncie, e quanto maior o número melhor. Como se deliciarão estes jornalistas, arautos da desgraça, quando chegar o pico do inverno.
Dirão que são importantes estas informações para que as pessoas não se descuidem e se protejam. Nada disso senhores jornalistas! Com esta forma de fazer jornalismo vocês estão a defender é o vosso posto! O que realmente é importante é que os senhores deitem cá para fora informações de forma a aumentar a responsabilidade social de todos os elementos da comunidade e que nunca será com esta maneira de fazer jornalismo cuja lógica informativa dominante não é mais do que invocar o medo, sugerir o pânico, tendo como pano de fundo o anseio da hecatombe. Se assim não é, porque é que as televisões se calaram perante as afirmações do bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, e à imagem do seu homólogo espanhol, quando criticou o “excesso de alarme e zelo” na resposta à gripe A, considerando tratar-se de uma “doença banal e pouco letal”.
Pois é meus senhores, o que importa mesmo é manter as pessoas assustadas, não é? E em defesa de quê e de quem? Haverá por ventura outros interesses por detrás disto tudo? Se de algum consolo vos servir tenham em conta então o que Dr. Pedro Nunes disse, também, desta campanha toda: “Foi uma oportunidade para criar algumas normas de educação cívica e até para implementar no terreno medidas de contenção para doenças eventualmente mais graves”.
Não estou doente, e, ironicamente, se espirrei foi porque sou alérgico a determinada forma de estar na vida de alguns senhores que se masturbam apregoando e ansiando o apocalipse.
Mas, abençoado espirro! Peguei num trapo e em movimentos rotativos eliminei do ecrã todos aqueles perdigotos como se de jornalistas imbecis, políticos patetas, e de inábeis agentes de saúde se tratassem.
Efectuada a limpeza, o meu velho monitor renasceu. Bem precisava de uma boa limpeza!
publicado por MonteiroMariti às 18:03

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